Aviso
Amigos, está difícil blogar aqui na Venezuela. Estou pulando de cidade em cidade. Talvez consiga hoje (quinta) à noite, mas o mais provável é amanhã (sexta) no decorrer do dia.
Escrito por Eduardo Guimarães às 19h15
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Política venezuelana
O pior inimigo de Chávez
El Vigía, estado venezuelano de Mérida, alta madrugada. Termina mais um dia de trabalho de um comerciante de autopeças numa das cidades mais “chavistas” da Venezuela.
Em El Vigia, à diferença do que aconteceu no conjunto do país no fim do ano passado, foi aprovada a reforma constitucional proposta por Hugo Chávez. Aqui, o presidente venezuelano jamais perdeu uma eleição. E o mesmo se repete na maioria das regiões agrícolas do pais: Chávez ainda é imbatível nessas regiões devido aos investimentos maciços que seu governo vem fazendo em agricultura.
Vim aqui, não para vender, mas para encontrar uma forma de receber o pagamento de uma exportação que a nova empresa para a qual passei a prestar serviços fez há cerca de dois anos. Devido a uma tecnicalidade, o Cadivi, órgão que administra o controle cambial venezuelano, impediu meu cliente, um declarado e conhecido antichavista, de pagar o que deve àquela empresa.
O controle cambial foi implementado em 2005 devido a uma greve na PDVSA (estatal venezuelana de petróleo) desencadeada pela oposição a Chávez, em retaliação à sua vitória no referendo revogatório convocado por essa mesma oposição no ano anterior.
A greve na PDVSA, em 2005, afundou a economia venezuelana e gerou uma incontrolável fuga de divisas (dólares) do país. Chávez, então, implantou o controle cambial, não apenas para impedir a sangria de divisas, mas para submeter economicamente seus opositores, que três anos antes haviam tentado um golpe de estado contra ele. E num país que não fabrica nada, comerciante que não tem dólares para importar, está frito.
Devido à guerra civil virtual que ainda vige na Venezuela, o controle cambial nunca mais foi levantado. Em parte, permanece para impedir que os ricos, em sua totalidade contrários ao governo, sangrem o país transformando seus bens em dólares e remetendo-os ao exterior, mas em parte constitui um dos vários “castigos” impostos pelo chavismo aos seus opositores.
Alguns poderão ficar chocados com algumas coisas que escreverei, pois não farei só elogios a Chávez, mesmo apoiando tantas de suas políticas. Tenho críticas reais a fazer a ele. Mas só ficará chocado quem não me conhece direito. Para os que me conhecem, surpresa seria se eu abdicasse de me render ao que é correto para não prejudicar minhas opiniões políticas e ideológicas.
É claro que Chávez enfrenta uma oposição desvairada tanto quanto Lula, Evo Morales e tantos outros mandatários de esquerda latino-americanos. É claro que a verdadeira sabotagem e o golpismo latente praticados pela mídia privada e pela oposição venezuelanas geram uma situação política distinta. Um presidente que chegou a ser seqüestrado por seus opositores não pode tratá-los a pão-de-ló. Contudo, o uso do poder do estado para retaliar inimigos políticos é uma conduta que não posso aceitar.
Um exemplo desse uso do estado para retaliar inimigos é o que está fazendo aqui o equivalente venezuelano ao Tribunal de Contas brasileiro, o “contralor”. Sob acusações de mau uso de dinheiro público, o “contralor” decretou a inelegibilidade de um número de políticos oposicionistas incompatível com uma situação em que governos de oposição ao governo central são ínfima minoria. E, “coincidentemente”, os que foram tornados inelegíveis são os oposicionistas que aparecem nas pesquisas eleitorais como favoritos na eleição de governadores e prefeitos que ocorrerá em novembro deste ano na Venezuela.
Por essas e outras medidas suspeitas é que Chávez perdeu, sim, parte do enorme apoio que tinha antes da derrota que sofreu no referendo do ano passado, quando viu ser derrotada sua proposta de reforma constitucional, que lhe permitiria candidatar-se à reeleição quantas vezes quisesse. Contudo, a perda de apoio que sofreu está longe de ser a que a mídia brasileira relata. Chávez, segundo o cliente que vim visitar aqui – um antichavista convicto, porém civilizado –, seria reeleito hoje com grande facilidade, ainda que com votação um pouco menor.
O que sustenta Chávez são seus programas sociais, que socorreram – esta é a palavra – milhões de venezuelanos pobres. Nesse contexto, um caso do qual tomei conhecimento nesta viagem mostra bem por que o presidente da Venezuela desfruta de apoio ainda tão forte. Um dos funcionários do cliente que mencionei é um sexagenário que estava ficando cego por estar com catarata. O homem nem estava trabalhando mais. Meu cliente, compadecido de sua situação, continua lhe pagando o salário assim mesmo.
A cirurgia de que o homem precisava custa cerca de 2 mil dólares e meu cliente se propôs a pagar metade do valor e emprestar ao funcionário a outra metade. Foi quando o homem decidiu buscar uma unidade da “missão bairro adentro”, programa social chavista que leva atendimento médico aos bairros pobres. Foi operado sem gastar um tostão.
Parece-lhe pouco? No Brasil, pode ser. Mas na Venezuela anterior a Chávez, benefícios como esse, concedidos pelo estado, eram impensáveis.
Quem nunca esteve na Venezuela dificilmente conseguirá dimensionar o que a parte pobre desta sociedade sente por Chávez. Tratado pela mídia privada daqui da Venezuela, daí do Brasil, enfim, de todas as partes do continente americano como se fosse um “ditador” e um psicopata, Chávez é idolatrado pela população pobre da Venezuela. Acreditem em mim quando digo que ele chega a ser visto como um homem santo entre praticamente toda a população pobre deste país.
Hugo Chávez, definitivamente, não é um santo. Porém, sua passagem pelo governo da Venezuela terá mudado para sempre este país. E para muito melhor. O povo venezuelano é hoje um dos mais politizados do planeta. Chego a ter vergonha dos brasileiros nesse quesito, em comparação com os venezuelanos.
No dia em que Chávez deixar o poder, provavelmente em 2012 – se não conseguir aprovar, mais adiante, a possibilidade de se candidatar de novo à presidência –, deixará um país que terá passado a exigir dos políticos o que talvez nenhum outro povo latino-americano exige. Contudo, o fantástico projeto de Chávez está ameaçado por sua crença em que o fim justifica os meios. O pior inimigo que ele precisa vencer – e que nunca venceu, até aqui –, é a si mesmo.
ENDEREÇOS DA POSTAGEM
http://edu.guim.blog.uol.com.br/arch2008-06-29_2008-07-05.html#2008_07-02_12_43_35-3429108-0
Escrito por Eduardo Guimarães às 11h43
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Atraso
Pessoal, agora pela manhã voltarei a postar. O cliente só me liberou ontem depois do jantar, no fim da noite.
Escrito por Eduardo Guimarães às 20h45
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Crônica
Blogueiro em trânsito

Bem, pessoal, estou de malas prontas. Poucas horas depois desta postagem (veja a hora ao pé deste texto) até as oito horas da manhã desta segunda-feira, passarei a purgar meus pecados em aviões e aeroportos – eu, que amava voar, hoje detesto. E não me venham com aquele papo de “caosaéreo”, porque voar está sendo um drama em qualquer parte do mundo, hoje em dia.
Meu vôo para Caracas sai à uma da manhã desta segunda-feira (30 de junho). Tenho, portanto, que fazer o check-in por volta das vinte e duas horas deste domingo. Para tanto, como embarco do aeroporto internacional de Guarulhos, tenho que sair de casa pelo menos uma hora e meia a duas horas antes...
Vejam vocês como está São Paulo. Quem precisa ou quer ser pontual, para evitar surpresas precisa se encaminhar para os seus compromissos com uma antecedência absurdamente grande.
Enfim, chego à capital venezuelana por volta das sete da manhã (hora brasileira). Às oito, embarco para o estado venezuelano de Mérida, para o aeroporto da capital desse estado, que também se chama Mérida.
Entre um vôo e outro, mal terei tempo de ir ao banheiro vestir o terno que levarei numa sacola, pois já chegarei à Venezuela trabalhando apesar da noite insone no avião, e não posso ir trabalhar amarrotado. A rapadura é doce, turma, mas não é mole, não.
Pedirei à minha filha Gabriela que monitore e publique os comentários. Eu, porém, lerei tudo que vocês comentarem, posteriormente. E quando eu mesmo puder liberar comentários, farei isso. Combinei com a minha filha que quem chegar antes libera o que vocês escreverem.

Gabriela Guimarães
Mas, claro, será uma semana bem corrida, então escreverei para este blog à noite. Mas como estou sem lap top, dependerei de lan houses. Assim, pode ser que, em algum momento, por conta de algum jantar com cliente, por exemplo, eu não possa postar.
Mas farei o possível e o impossível para não falhar nem um dia. Este blogueiro, mesmo em trânsito, tem como que um pacto de sangue com vocês, leitores, de encarar este blog com a maior seriedade, como parte importantíssima de sua vida.
PS: quem, por falta de imaginação, quiser usar a foto abaixo do título deste post para dizer que sou um "mala", peço que considere, prestando atenção à foto, que pelo menos sou um "mala" COM alça.
ENDEREÇOS DA POSTAGEM
http://edu.guim.blog.uol.com.br/arch2008-06-29_2008-07-05.html#2008_06-29_13_08_31-3429108-0
Escrito por Eduardo Guimarães às 12h08
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Crítica da mídia
Meu alvo favorito e
por que o escolhi

Para criticar qualquer coisa com eficiência e seriedade nesta vida, é imperativo conhecer o que se critica. Eu, por exemplo, critico a mídia, mas procuro me pautar por alguns veículos-chave, que, de acordo com percepção que fui construindo através dos anos, acabam sintetizando o grosso do comportamento midiático.
No Brasil, o tom político e ideológico da grande mídia é dado pelos quatro maiores veículos da imprensa escrita, Folha, Globo, Estadão e Veja. O resto da grande mídia acaba indo no vácuo desses veículos.
Para fazer uma crítica fundamentada desses órgãos de imprensa, preciso conhecê-los muito bem a fim de poder fazer afirmações peremptórias sem medo de estar cometendo injustiça, sobretudo por falta de conhecimento do que critico.
Desses quatro veículos supra mencionados, dois deles dispensam denúncias de partidarismo, pois são veículos assumidamente partidarizados. Esses veículos são a Veja e o Estadão. Este, aliás, é o que tem medos pudor em assumir seu partidarismo.
Pode-se, no entanto, acusar tanto a Veja, quanto o Estadão, quanto a Globo ou a Folha de deturparem e esconderem fatos, claro, mas a acusação de partidarismo é a que até os veículos que não tentam disfarçar esse partidarismo mais temem e rejeitam.
Dessa maneira, se eu tivesse que acompanhar a Veja ou o Estadão acabaria chovendo no molhado. Vou acusar de partidarismo quem é assumidamente partidário da oposição tucano-pefelê?
Então, restaram-me Globo e Folha. Como sou paulista, escolhi o jornal paulista. E, além disso, por ser o grande jornal de maior tiragem, esse é um fator que coroa minha escolha.
Isso sem falar que a Folha tem ombudsman e um ímpeto irrefreável de tentar aparecer como “isenta”, bem maior do que o de qualquer outro veículo. Aí está um prato cheio para um crítico da mídia, se ele se dispuser a conhecer o que critica.
Na Folha deste domingo, uma coluna e uma nota chamam atenção. Foram escritas, respectivamente, por Clóvis Rossi e pelo ombudsman do jornal, meu amigo recente Carlos Eduardo Lins da Silva, que vem se esforçando para não deixar passar batido os “descuidos” do jornal.
Começo pelo ombudsman. Mais uma vez ele agiu bem ao, mesmo tratando de outro assunto na parte principal de sua coluna dominical, não ter deixado de acusar uma atitude da Folha sobre a qual conversamos durante a semana.
Estudo do Ipea que apontou queda de 7% na desigualdade, na Folha foi tratado como má notícia, pois o jornal publicou um texto ambíguo que tinha como manchete a “má notícia” de que a “Desigualdade só deve mudar de patamar em 2016”.
O ombudsman não deixou de apontar esse paradoxo em sua coluna deste domingo na edição impressa do jornal, ainda que brevemente e de forma que poderia ter sido mais clara. Porém, apontou, numa seção que criou dentro de sua coluna dominical, chamada por ele de “Tiros livres e diretos”. Vejam:
“Enfoque dado a estudo que mostrou crescimento da renda dos mais pobres no país cinco vezes maior do que a dos mais ricos e redução da desigualdade social de 7% em seis anos foi claramente enviesado: registrou com destaque apenas que ainda levarão oito anos para a desigualdade superar estágios ‘primitivos’ ”
Aliás, o outro texto da Folha deste domingo que destaco também diz respeito ao Estudo do Ipea sobre a expressiva queda da desigualdade na era Lula. É, como não poderia deixar de ser, de autoria do marido da presidente – ou seria ex-presidente? - do “PSDB Mulher”, o colunista Clóvis Rossi, que entrará para o Guinnes Book por ser o único colunista do mundo que conseguiu a proeza de escrever a mesma coluna durante cinco anos sem perder o emprego.
Leiam, abaixo, a coluna de Clóvis Rossi de 29 de junho de 2008. Depois dela, obviamente que a comento.
A perpetuação da lenda
SÃO PAULO - Pesquisa recentíssima do Ipea recolocou em circulação no noticiário a lenda da queda da desigualdade
Caiu apenas a desigualdade nos salários. Como informa o próprio Ipea, o índice divulgado dias atrás só mede a renda dos ocupados, que inclui os salários, aposentadorias e benefícios de programas de transferência de renda. Mas -atenção, crédulos- juros, lucros e remda da terra, por exemplo, não entram nessa conta.
Portanto, não dá nem para dizer que caiu a diferença de renda entre os assalariados. Afinal, é lógico supor que os mais bem remunerados, embora tenham perdido no salário, ganharam juros de suas aplicações financeiras, mesmo que seja uma modesta poupança. Já os de baixa renda, que viram seu salário aumentar, não têm, em geral, sobra para aplicar em instrumentos financeiros de qualquer raça.
A imperdível coluna "Mercado Aberto" desta Folha já mostrou avaliação de Claudio Dedecca, professor do Instituto de Economia da Unicamp, que acaba de concluir pesquisa a respeito.
Dedecca confirma o que já foi dito repetidamente aqui: não há redução de desigualdade, porque só entram nas contas que a revelariam os ganhos salariais e com a rede de proteção social, como Bolsa Família e aposentadoria. Tais números equivalem a só 40% do PIB.
Não entra, portanto, "a renda com ganho de capital das classes A e B, à qual os pesquisadores não têm acesso". Pesquisadores do próprio Ipea já calcularam em 90% a omissão de dados sobre ganhos de capital na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios, mãe da lenda sobre queda da desigualdade.
Se Marcio Pochmann, presidente do Ipea, diz que o Brasil é "primitivo", mesmo com a queda apontada na desigualdade de salários, como qualificá-lo quando se verifica que não há queda na obscena desigualdade de renda?
Antes, Clóvis Rossi também dizia que não haveria "espetáculo do crescimento", mas teve que pôr a barba de molho num momento em que o governo está sendo obrigado a tomar medidas para conter o crescimento da economia, que já ameaçava chegar a patamares asiáticos.
Mas o que Rossi não pode admitir mesmo é a redução da desigualdade promovida pelo governo Lula, um feito internacionalmente reconhecido. Para contestar a frieza dos números, que mostram que este governo está distribuindo renda como nenhum outro, o colunista criou uma falácia de grande porte.
A teoria rossiana é a de que não é real a queda da desigualdade apontada pelo IPEA, porque os mais ricos escondem parte dos ganhos que têm no mercado financeiro. Assim, a evolução dos salários dos mais pobres apareceria integralmente, mas os ganhos dos mais ricos no mercado financeiro, não.
Essa teoria seria plausível se os mais ricos tivessem começado a esconder ganhos só depois que Lula chegou ao poder. Como isso não é verdade, o que o Ipea comparou foi situação anterior, em que os ricos escondiam parte de suas rendas, com a situação atual, na qual continuariam fazendo a mesma coisa.
Se os ricos escondiam antes parte de seus rendimentos e continuam escondendo, mas a relação entre os ganhos declarados deles com os salários mais baixos sofreu alteração favorável aos mais pobres, a teoria de Rossi teria que provar que hoje os ricos escondem mais seus ganhos do que escondiam antes.
Sabe-se, no entanto, que a fiscalização da sonegação aumentou no governo Lula, de forma que a teoria de Rossi pode funcionar, sim, mas no sentido inverso, ou seja, os ganhos dos mais ricos aparecem mais inteiros hoje do que ontem, o que significa que a redução da desigualdade pode ser até maior do que diz o Ipea.
Para desempatar esse jogo de suposições mal fundamentadas, pode-se recorrer ao juiz povão, que, como mostram pesquisas e eleições, parece achar que sua vida melhorou com Lula, enquanto que os mais ricos são os que mais reclamam do governo, o que torna minha teoria mais verossímil do que a de Rossi.
ENDEREÇO DA POSTAGEM
http://edu.guim.blog.uol.com.br/arch2008-06-29_2008-07-05.html#2008_06-29_11_41_05-3429108-0
Escrito por Eduardo Guimarães às 10h41
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Momento político
A nova elite brasileira
Continuamos mergulhados naquela rotina de novos escândalos a cada semana, mas com uma variante: a coloração partidária dos envolvidos em escândalos passíveis de cobertura jornalística, começou a variar. Temos, no momento, um cardápio mais variado de escândalos e pseudo escândalos que envolvem políticos de expressão.
O natimorto escândalo do dossiê anti-FHC andou pondo o nariz para fora da tumba devido à morte da ex-primeira-dama Ruth Cardoso, mas está morto e disso não há dúvida. E o caso Varig já dá seus últimos suspiros. Mas agora, numa variação significativa do alvo das denúncias na mídia, há o caso Alstom e o caso Yeda Crusius, que, à diferença do que já tinha virado regra, envolvem a direita tucano-pefelê.
Infelizmente, essa ampliação do jornalismo de denúncias do fim do mundo, essa aberração tipicamente latino-americana que ganhou expressão com a ascensão ao poder de políticos de esquerda por toda a América Latina, ao menos no Brasil não decorre de mudança de mentalidade da mídia.
Tanto o caso Alstom quanto o caso Yeda Crusius estão tendo visibilidade na mídia porque são escândalos demolidores, repletos de provas contra os envolvidos. Portanto, enquanto você pensa que a mídia está se tornando mais equilibrada, pois passou a noticiar escândalos dos dois lados, na verdade ela continua diminuindo, para o PSDB, a importância de fatos que lhe são danosos.
Nesses dois escândalos tucanos que mencionei no parágrafo anterior, se a mídia usasse para eles os mesmos pesos e medidas que usa para escândalos que envolvem petistas, estaria havendo um linchamento das facções paulista e gaúcha do PSDB.
Mas temos que ter a perspectiva histórica da realidade política no Brasil para suportarmos melhor essa ditadura da informação que, venho constatando neste blog desde sua criação, chega a ser uma tortura psicológica para alguns.
Por mais que lhe pareça que as tentativas de domínio da sociedade através do uso da comunicação existam desde sempre, esse é um fenômeno recente - do ponto de vista histórico. E as alianças entre os mercadores da comunicação e uma das bandas do espectro político, são puramente conjunturais. O que hoje é uma aliança aparentemente sólida, amanhã pela manhã poderá ter virado pó.
A nova elite
Feitas considerações de cuja importância vocês perceberão a seguir, quero enveredar pelo tema central deste post. Quero lhes oferecer minha visão de que está surgindo uma nova elite no Brasil. Mais progressista, menos patrimonialista, menos preconceituosa.
O principal mérito do governo Lula, a meu juízo, está sendo o de indicar à sociedade que o capitalismo pode suportar muito mais empenho no social sem comprometer fundamentos capitalistas. Assim, apesar do discurso intolerante da velha elite branca quinhentista, há uma nova elite surgindo no Brasil, composta por segmentos do topo da pirâmide, tais como segmentos de empresários ou de profissionais liberais que já admitem que o atual nível de desigualdade precisa não apenas parar de crescer, mas diminuir, em benefício da convivência civilizada entre os brasileiros dos diversos estratos da pirâmide social.
Na última sexta-feira, estive no interior de São Paulo. Fui fechar contratos com indústrias que me procuraram para implantar nelas setores de exportação. E isso porque, do fim do ano passado para cá, tornei-me um consultor de exportação, mais do que tudo, porque comecei a oferecer a empresas que não exportam um pacote de serviços que envolve dos serviços burocráticos-administrativos até o serviço de representação comercial.
Fui à Região de Ribeirão Preto, uma das mais ricas do país. Eu, que trabalho com autopeças, localizei um segmento desse mercado que está sofrendo uma explosão de consumo, que é o de peças para tratores agrícolas e de construção, impulsionado pela expansão econômica do país, que tem na agricultura e nas obras de infra-estrutura um dos pólos de crescimento mais dinâmicos.
As cidades daquela região devem abrigar hoje mais empregos (proporcionalmente) do que a região metropolitana da capital paulista. Na cidade de Matão, por exemplo, dizem que só não trabalha quem não quer, pois a quantidade de indústrias que há naquela cidade as obriga a “importarem” mão de obra de outras cidades, pois a população local é insuficiente para prover a crescente demanda por mão-de-obra.
Os donos das empresas às quais começo a prestar serviços deixaram de ser tucanos e antipetistas fundamentalistas para se tornarem não só defensores do governo Lula, mas também da distribuição de renda e da qualidade dos empregos.
Nas duas empresas com as quais passo a trabalhar, pude constatar empregados sorridentes, ambientes de trabalho leves e patrões satisfeitos. Os empregados, durante o governo Lula, ganharam planos de saúde, refeições balanceadas, aumentos de salário, clubes de campo e outros benefícios. E a alta do consumo nas classes mais humildes já é vista por muitos patrões como um investimento do país que, em vez de reduzir os ganhos da elite, pode aumentá-los mais adiante, pois o país está criando novos consumidores.
Em Matão (SP), por exemplo, o prefeito é do PT e o patronato local, em significativa parte, virou petista. Pude ver capitães da indústria proferindo discursos que, guardadas as devidas proporções, caberiam na boca de qualquer sindicalista.
Essa nova elite, mais moderna e humanista, passou a existir a partir deste governo. Vários segmentos das classes dominantes já começam a pôr em dúvida a eterna preferência elitista brasileira de manter a renda concentrada, entendendo que o fenômeno não compensa a virtual guerra civil que a desigualdade implantou no país.
Venezuela
Como eu havia comunicado anteriormente, no domingo (29 de junho) embarco para a Venezuela, onde permanecerei até o dia 5 de julho, sábado que vem. Estou retomando, portanto, minhas viagens de negócios, que, neste ano, por conta de minha insatisfação com a empresa à qual prestava serviços até este mês, tinham diminuído.
Estou voltando à Venezuela dez meses depois da última viagem que fiz a um país em que o sucesso das políticas de distensão social de seu governo progressista, em vez de gerar um fenômeno como o da nova elite brasileira que acabo de descrever, aprofundou a divisão entre as classes sociais.
Como sabem meus leitores, este blogueiro freqüentemente se deixa levar por seu emocional e acaba clamando por reações do governo Lula aos ataques da velha elite midiática. Porém, como conhecedor da realidade dos países sul-americanos aos quais viajo quase todos os meses, devo reconhecer que a estratégia de Lula é a que tem produzido melhores resultados em todos os sentidos.
Talvez este governo não tenha conseguido resultados sociais tão vistosos quanto os que estão conseguindo Hugo Chávez ou Evo Morales, mas está conseguindo algo que nenhum deles, a despeito de feitos espetaculares como o fim do analfabetismo na Venezuela, jamais conseguiu: Lula está conseguindo mudar a mentalidade carcomida de parte da elite branca brasileira.
Uma viagem de negócios como a que começo a empreender a partir de amanhã, não se presta bem a um trabalho jornalístico como o que eu gostaria de fazer num país sobre o qual nos faltam informações confiáveis, mas estar num país, comer sua comida, falar sua língua, usar seu transporte público, caminhar por suas ruas, ouvir seu povo sempre permitirá ao visitante extrair impressões que de nenhuma outra forma poderiam ser extraídas.
Nos próximos dias, de lá da Venezuela, tentarei mostrar o clima político que reina no país. E farei isso sem manipulações, sem tentar provar esta ou aquela teoria. Dessa maneira, imbuído do desejo de apenas informar corretamente as pessoas, estou certo de que oferecerei a você, leitor, informações relevantes sobre aquele país tão conturbado. Fique comigo, então. Teremos muito o que discutir nos próximos dias.
ENDEREÇO DA POSTAGEM
http://edu.guim.blog.uol.com.br/arch2008-06-22_2008-06-28.html#2008_06-28_11_56_53-3429108-0
Escrito por Eduardo Guimarães às 10h56
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Momento político
Maomé e a montanha

Sempre, ao prevalecer o bom senso, será obrigatório pedir o diálogo em situações de dissenso. Ao mesmo tempo, todos nós teremos que, algum dia, pedir desculpas por, em algum momento, eventualmente termos cedido à radicalização.
Eu, por exemplo, não sou exceção. E isso porque sou humano, sou suscetível aos demônios que a todos nos afligem com maior ou menor facilidade. E o demônio da ira, por exemplo, anda em alta ultimamente.
Quero me ater, a título de exemplificação, a recente episódio que fez despertar a ira de ambos os lados políticos que dominam o debate político hoje no Brasil, o PT e o PSDB.
O episódio em pauta é o da morte da antropóloga e ex-primeira-dama Ruth Cardoso, mulher do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. A blogosfera viu surgir uma onda de comentários insensíveis detratando a falecida ou Lula e sua mulher, D. Marisa – principalmente esta.
No blog do Luis Nassif, por exemplo, aconteceu uma interessante discussão proposta por ele, em torno da radicalização que sucedeu o noticiário sobre a morte de D. Ruth. O Nassif postou uma nota dizendo-se impressionado com os insultos a D. Ruth e a D. Marisa num momento em que o esperável seria guardar obsequioso e sereno silêncio, se algo mais cristão, digamos, não pudesse ser dito.
Mas de onde vieram esses demônios que assolaram essas pessoas que se puseram a adotar essa conduta lamentável? São loucos ou tarados que se transformam em pedras de gelo humanas e estabelecem uma discussão desse nível do nada?
Escrevi aqui na quinta-feira um post afirmando que a mídia fez uso político da morte de D. Ruth. E acho que foi esse noticiário que fez comparações entre D. Ruth e D. Marisa, chegando a insinuar que a segunda envolveu-se com corrupção e que era uma inútil diante da excelência intelectual e do ativismo da ex-primeira-dama, o que insuflou esse ânimo beligerante e insensível nas pessoas.
É por isso que, apesar de às vezes quase me deixar envolver pelo clima de fla-flu, procuro sempre tentar me manter dentro dos limites da civilidade. Houve quem me criticasse, por exemplo, por me aproximar do ombudsman da Folha, Carlos Eduardo Lins da Silva, porque ele seria “o inimigo”. Pareceu-me que chegaram a dizer que me dispor a almoçar com ele seria como “confraternizar com o inimigo”.
A radicalização impede o diálogo e o debate. E sem diálogo e sem debate entre as forças políticas opostas hoje no Brasil poderemos dar sentido à máxima de que a guerra é a política por outros meios.
No caso do Carlos Eduardo, por exemplo, eu mesmo comecei a ter contato com ele acusando-o de ter atuado mal no programa Roda Viva, que mediava antes de ser convidado pela Folha para ser ombudsman.
Depois disso, ele me convidou para ir à Folha conversar consigo sobre a crítica que lhe fiz; depois, convidou-me para um bate-papo num almoço e, de lá para cá, temos mantido interlocução freqüente, com ele submetendo à minha análise alguns “avanços” que diz estarem ocorrendo na Folha. Até me convidou para almoçar novamente consigo.
Porém, quero provar que Carlos Eduardo está enganado. Quero provar sobretudo a ele, e quero provar porque acho que ele está tentando fazer o que é certo. Citou minhas críticas em sua coluna dominical da Folha, chegando a mencionar quem as fez, e reconheceu a procedência dessas críticas.
Se eu me mantivesse inatingível ao “inimigo”, se qualquer um de nós se mantiver assim, e se ficarmos à espreita da menor oportunidade de espicaçar o “inimigo”, inclusive agindo como a mídia age em relação a Lula e ao PT, seremos tão idiotas quanto ela.
Contudo, temos que entender que a mídia, a imprensa, o PIG, seja lá o que for, esse ente abstrato não é uma pessoa, um ombudsman, um colunista ou um dono de jornal, mas uma idéia, uma forma de proceder, um caminho adotado na luta política vale-tudo que se estabeleceu no país.
Sei que não depende só de nós, sensatos, mas também da mídia ter um pouco mais de respeito e bom senso. Na verdade, caberia à mídia levantar um clima de civilidade – e ressalte-se que não falo de capitulação, mas de um embate de idéias mais honesto e menos maniqueísta e pseudo moralista. Mas, se Maomé não vai à montanha...
ENDEREÇO DA POSTAGEM
http://edu.guim.blog.uol.com.br/arch2008-06-22_2008-06-28.html#2008_06-27_01_06_57-3429108-0
Escrito por Eduardo Guimarães às 00h06
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Eleição em São Paulo
Se Marta ganhar, o
PIG se mata

Há algumas coisas nesta vida que o partido da imprensa golpista pode agüentar, mas há outras que fariam os Marinho, Civitas, Frias, Mesquitas e aspirantes a ser eles padecerem de um xilique potencialmente fatal. Por exemplo, se Marta Suplicy se eleger novamente prefeita de São Paulo.
Pesquisa Ibope que acaba de ser publicada mostra que a possibilidade de isso acontecer cresceu muito.
Há alguns meses, uma eventual candidatura Marta Suplicy parecia inviável numa das cidades mais petefóbicas do país. Esta última pesquisa, porém, revela Marta se distanciando bem de Alckmin no primeiro turno e virtualmente empatada com o ex-governador num eventual – e provável, dados os números da pesquisa – segundo turno.
A mídia paulista aceitaria qualquer um em lugar de Marta. Suas preferências são, pela ordem:
1º Gilberto Kassab
2º Geraldo Alckmin
3º Soninha
4º Paulo Maluf
5º Qualquer um que derrote Marta.
Uma derrota de Kassab e de Alckmin para Marta seria o golpe mais duro que a mídia e a oposição a Lula poderiam receber à esta altura do campeonato. Marta é talvez mais odiada pela imprensa paulista do que Lula e a campanha na qual o presidente mais irá se empenhar será na dela.
Marta é uma mulher forte. Não hesitou em, num mundo machista, numa sociedade que, em casos como o dela, chega a parecer misógina, dar um passo que, para os homens, é visto como normal, mas que, em pleno século XXI, ainda é visto como inaceitável para uma mulher: trocar o marido por outro homem.
Quem é de fora de São Paulo talvez não saiba, e sabendo pode ser que não acredite, mas Marta perdeu a eleição para Serra, em 2004, porque se separou de Eduardo Matarazzo Suplicy. Acredite quem quiser.
Kassab dificilmente se reelege. Sofre uma enorme rejeição e não tem carisma. Está na lanterna do primeiro pelotão de candidatos. A derrota de Serra na convenção do PSDB, por não ter conseguido emplacar uma união do partido em torno de Kassab, é praticamente certa na eleição.
Serra precisa da eleição de Kassab para que não fique caracterizado que o abacaxi que ele deixou para São Paulo, ao romper promessa que fez por escrito de permanecer à frente da prefeitura paulistana até o fim do mandato de prefeito que conseguiu nas urnas em 2004, foi rejeitado pelos paulistanos. Se Kassab não se reeleger, será uma rejeição dos paulistanos ao próprio Serra.
Alckmin, se se eleger prefeito de São Paulo, será um prêmio de consolação para Serra. Seu candidato terá sido rejeitado, mas ao menos um correligionário terá vencido a eleição. Contudo, as chances de Alckmin esbarram em alguns problemas:
A – O caso Alstom, até a eleição, deverá estar bombando até na imprensa paulista
B – Falta de carisma
C – O fogo amigo que deverá sofrer durante o primeiro turno, que o fará chegar desgastado ao segundo turno.
A eleição para prefeito de São Paulo será importantíssima para a eleição presidencial de 2010. Uma vitória de Marta pavimentará o caminho do candidato de Lula à sua sucessão.
ENDEREÇO DA POSTAGEM
http://edu.guim.blog.uol.com.br/arch2008-06-22_2008-06-28.html#2008_06-26_00_20_24-3429108-0
Escrito por Eduardo Guimarães às 23h20
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Morte de Ruth Cardoso
Mídia faz uso político da
morte de Ruth Cardoso
Escrevo em defesa da cidadã Ruth Cardoso, que faleceu ontem. A mídia, desde o anúncio de seu passamento, passou a usá-la na morte de uma forma a que ela nunca se prestou em vida.
Apesar de usar para D. Ruth, dentre adjetivos mais pomposos e exagerados, a qualificação correta de “discreta”, a mídia a transformou em “alvo de luta política” por conta do “dossiê” que essa mesma mídia, em coro com o PSDB, afirma que foi feito pelo governo Lula contra a falecida e seu marido.
Não faltam manifestações políticas da mídia praticamente canonizando a correligionária tucana recém-falecida. A meu ver, ela não gostaria de ser canonizada nem por Roma, quanto mais pela mídia sensacionalista e partidarizada. A meu ver, mulher inteligente que era, apesar de menosprezada pelo marido, FHC, que teve filho com outra mulher pouco antes de se eleger presidente, D. Ruth preferiria exéquias discretas. Mas não é isso o que está acontecendo.
Já vi e ouvi dizerem que D. Ruth ocupava “cargo público” de “primeira-dama”
Já vi e ouvi dizerem que D. Ruth criou o Bolsa Família, e não Lula.
Já vi e ouvi compararem-na com D. Marisa Letícia, mulher de Lula
Já vi e ouvi dizerem que D. Ruth, ao contrário de “outras” primeiras-damas, não se meteu com “corrupção”.
Já vi e ouvi lembrarem que a recém-canonizada Ruth Cardoso era contra cotas para negros nas universidades...
Deveriam deixar que aliados e adversários políticos de D. Ruth dissessem palavras elogiosas e sentidas a seu respeito. Não deveriam usar a morte da ex-primeira-dama para atacar o governo Lula, seu titular, sua mulher, o partido de ambos e o eleitorado que os apóia. Deveriam deixar a cidadã Ruth Cardoso descansar em paz.
ENDEREÇO DA POSTAGEM
http://edu.guim.blog.uol.com.br/arch2008-06-22_2008-06-28.html#2008_06-25_10_58_13-3429108-0
Escrito por Eduardo Guimarães às 09h58
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Folha esconde estudo do Ipea
“Jornalismo” de sarjeta
Dos três maiores jornais do país (Folha, Globo e Estado), só a Folha não deu na primeira página a notícia sobre estudo do Ipea que mostra que a desigualdade caiu, nos cinco anos do governo Lula, como não caía havia décadas.
Esse jornal publicou hoje matéria sobre o assunto em seu caderno de economia com uma manchete cifrada que parece trazer uma má notícia em vez de uma notícia boa: "Desigualdade só muda de patamar em 2016".
Como assim? A desigualdade, que durante a era do predileto da Folha, FHC, permaneceu intocada, teve uma queda mais do que consistente no governo Lula. Como é que só mudará de patamar em 2016 se o estudo mostra que mudou, e bem, de patamar?
Jornalismo de verdade é dar ao público a notícia limpa, sem vieses ou espertezas, para lhe dar condições de formar sua opinião estando de posse apenas dos fatos, evitando sempre dirigir o consumidor de informação para lá ou para cá.
A informação, desta vez, era a de que, pela primeira vez em décadas e décadas, os mais pobres tiveram crescimento de renda muito maior do que os mais ricos, num processo inverso ao que produziu a desigualdade impressionante em que ainda chafurda o Brasil
A Folha pode esconder a informação, deturpá-la, pode tentar enganar a sociedade, mas a melhora de vida é sentida pelos favorecidos por ela. Nenhuma manipulação mudará o fato.
Por último, nesse fato que a mídia minimizou ou escondeu é que reside a resistência da elite branca e golpista ao governo Lula. Nesse governo que a mídia diz que favorece “banqueiros”, quem está ganhando mesmo são os mais pobres.
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http://edu.guim.blog.uol.com.br/arch2008-06-22_2008-06-28.html#2008_06-24_14_10_46-3429108-0
Escrito por Eduardo Guimarães às 13h10
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